A Mulher selvagem e o poder transformador da solidão

Ciclicidade, mulher selvagem e o poder transformador da solidão

É urgente nos acalmarmos e abrir espaço no nosso dia a dia para nos ouvirmos, e ensinar aos nossos filhos quanto é bom cuidar de nós. Amar-se a si mesmo, ainda é confundido com um forte egocentrismo, arrogância, ou pior: uma falta de amor e compaixão para com o próximo. “Preenchidos” de amor próprio, auto-estima e respeito crescermos interiormente, e então de forma equilibrada poderemos nos relacionar melhor e compartilhar nossos dons.

Para amadurecermos como seres humanos é preciso relacionar-se e não é fugindo para o cume de uma montanha afastada da civilização que vamos evoluir. Mas existem momentos da nossa vida em que temos de ficar afastados de tudo e de todos para nos recompormos. São alturas nas quais precisamos de olhar para nós mesmas, aprendendo a lidar com a solidão, o silêncio, o vazio.

São momentos únicos e vitais para podermos “ressuscitar”, que devemos também
Tornar habito no nosso quotidiano. Chamo isto de “O Poder transformador da solidão”.

C. Pinkola Estés fala a este respeito, da abençoada solidão, dentro do conto “A
volta ao lar: o retorno ao próprio Self-Pele de foca, pele da alma”

“Para ter esse intercâmbio com o feminino selvagem, a mulher precisa de deixar
temporariamente o mundo, colocando-se num estado de solidão – aloneness – no sentido mais antigo do termo. Antigamente, a palavra alone (só) era tratada como duas palavras, all one. Estar all one significava estar inteiramente em si, na sua unidade, quer essencial quer temporariamente. Ela é a cura para o estado caótico de nervos tão comum às mulheres modernas, aquele que a faz “montar no cavalo e sair cavalgando em todas as direções”, como o diz um velho ditado.

A solidão não é uma ausência de energia ou de ação, como acreditam algumas
pessoas, mas é sim um tesouro de provisões selvagens transmitidas a partir da alma. Nos tempos antigos, a solidão voluntária era tanto paliativa quanto preventiva. Era usada para curar a fadiga e para evitar o cansaço.

Era também usada como um oráculo, como um meio de se escutar o self interior a
fim de procurar conselhos e orientação que, de outra forma, seriam impossíveis de ouvir no burburinho do dia-a-dia.

As mulheres dos tempos antigos, assim como as mulheres aborígenes modernas,
reservavam um local sagrado para essa indagação e comunhão. Tradicionalmente, diz-se que esse lugar era reservado para a menstruação, pois durante esse período a mulher está muito mais próxima do auto-conhecimento do que o normal. A membrana que separa a mente consciente da inconsciente fica, então, consideravelmente mais fina. Sentimentos, recordações e sensações que normalmente são impedidos de atingir a consciência chegam ao conhecimento sem nenhuma resistência. Quando a mulher procura a solidão durante esse período, ela tem mais material a examinar.

Como na história, se fixarmos uma prática regular de solidão voluntária, estaremos
a propiciar uma conversa entre nós mesmas e a alma selvagem que se aproxima da
terra firme. Agimos assim não só para “estarmos perto” da nossa natureza selvagem e profunda, mas também, como na tradição mística desde tempos imemoriais, para que, ao fazermos perguntas, a alma dê conselhos.

Como se pode invocar a alma? Há muitas formas: pela meditação, pelos ritmos da
corrida, do toque de tambor, do canto, do ato de escrever, da pintura, da composição
musical, de visões de grande beleza, da oração, da contemplação, dos ritos e rituais, de ficar parada e até mesmo de ter idéias e disposições de ânimo arrebatadoras. Todos eles são convocações psíquicas que chamam a alma da sua morada até à superfície.”

Recomendo terapeuticamente a todas as mulheres – e aos homens, porque o nosso sistema também não é nada “delicado ”com eles – que se permitam silenciar, descansar e desacelerar, e que aproveitem a presença “sagrada” delas mesmas.

Os momentos da minha vida nos quais eu me permiti – e ainda me permito –silenciar, para olhar para dentro de mim, foram os mais ricos em mensagens e proporcionaram-me a cura de que a minha mente e o meu corpo então necessitavam.

Principalmente na altura da menstruação, momento tão profundo do encontro com a mulher cíclica dentro de nós, vamos parar e ficar atentas àquilo que o nosso corpo tem para nos dizer. È neste momento que uma parte nossa que nasceu, cresceu e se preparou para gerar um filho, está morrendo.

Já pararam para pensar no que isto significa?

Uma vez por mês, de 28 em 28 dias, as mulheres passam pela mesma experiência
da vida e da morte no mais profundo delas mesmas, e isto sensivelmente durante 40
anos da sua existência (da menarca até à menopausa). Passamos física, emocional
e simbolicamente por este arquétipo da vida e da morte É por esta
razão somos chamadas de cíclicas e de inconstantes pelos homens e por incrível que pareça, por muitas mulheres também.

Um homem nunca será capaz de entender aquilo que realmente acontece dentro de nós,nem mesmo o melhor ginecologista será capaz de entender o que REALMENTE
sentimos com nossos ciclos. O nosso corpo coloca-nos em situação de “morte
interna” obrigatória, e é essa a nossa grande oportunidade para aproveitarmos e silenciar.

Então, irmãs de jornada, vamos aproveitar e agradecer por sermos “ fêmeas”,
Isso nos permite o contato com uma sabedoria infinita que nos liga
ao feminino ancestral a cada momento do nosso ciclo.

Assim falei,
Soraya Mariani

MEDICINE WOMAN com Soraya Mariani

Venha vivenciar, trocar, aprender e ensinar nesse encontro transformador entre mulheres que buscam viver sua essência com beleza, verdade e alegria! Sejam todas bem vindas!!

A mulher medicina é um arquétipo da psique da mulher e quando desperto e fortalecido nos conecta com outros arquétipos que ensinam os segredos da sabedoria ancestral e estes segredos ajudam a mulher contemporânea a ser mais íntegra, inteira, confiante em relação à si mesma e ao seu papel no mundo.

Evento no face: https://www.facebook.com/events/980962842074861/

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